





{"id":236,"date":"2017-12-27T08:57:30","date_gmt":"2017-12-27T10:57:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.labweb.com.br\/blog\/?p=236"},"modified":"2019-06-10T06:51:08","modified_gmt":"2019-06-10T09:51:08","slug":"o-deputado-sem-pescoco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.labweb.com.br\/blog\/?p=236","title":{"rendered":"O deputado sem pesco\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Dando continua\u00e7\u00e3o aos contos tenebrosos do design, vou narrar hoje uma hist\u00f3ria terr\u00edvel que aconteceu em uma \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o, n\u00e3o estou me referindo a partidos pol\u00edticos, nem a hist\u00f3rias de corrup\u00e7\u00e3o e esc\u00e2ndalos.<\/p>\n<h2>O caso do deputado sem pesco\u00e7o<\/h2>\n<p>Hoje em dia as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o utilizam tanto impressos. Desde que colocaram leis para identificar os autores dos impressos em \u00e9pocas de campanha e que atrelaram o CNPJ do pol\u00edtico aos impressos, a quantidade de santinhos e outros materiais tiveram uma queda brusca.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m limitou aqueles abusos que eram cometidos antigamente, como por exemplo, eu inventar uma mentira sobre o candidato X, imprimir milhares de folhetos e distribuir na calada da noite, de forma a denegrir a imagem dele. E como foi tudo feito na surdina, dificilmente o culpado seria localizado e o estrago j\u00e1 estaria feito. Essa pr\u00e1tica infelizmente aconteceu bastante.<\/p>\n<p>Para voc\u00eas terem uma id\u00e9ia, geralmente quando falamos de impressos, a m\u00e9dia \u00e9 1.000, 2.000, 5.000&#8230; valores como 30.000, 50.000 etc s\u00e3o considerados impressos em quantidade grande e n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o comuns (obviamente, depende da gr\u00e1fica que voc\u00ea estiver fazendo essa compara\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Mas quando falamos de santinhos, antigamente a quantidade era absurda. Era algo em torno de 1 milh\u00e3o, 2 milh\u00f5es, 10 milh\u00f5es. Sim, voc\u00ea n\u00e3o leu errado, a quantidade era essa! Quem rodava pouco rodava em torno de 100.000 santinhos. E se pegarmos por exemplo, um partido com um candidato a prefeito, com 20 candidatos a vereador, cada um com 100.000 santinhos com a foto do candidato a vereador ao lado da foto do candidato a prefeito, j\u00e1 temos 2 milh\u00f5es de santinhos brincando.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sim, a quantidade que rodava era absurda. Mas n\u00e3o \u00e9 sobre a quantidade que vou falar, e sim de um fato curioso que aconteceu. Mas precisei dar essa introdu\u00e7\u00e3o da quantidade para voc\u00eas terem no\u00e7\u00e3o de como a hist\u00f3ria ocorreu.<\/p>\n<p>Um certo candidato de uma certa cidade rodou santinhos para concorrer a deputado federal e ganhou. E na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o ele se candidatou a prefeito da cidade e ganhou tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>E quando foi na outra elei\u00e7\u00e3o, rodaram v\u00e1rios santinhos dele, j\u00e1 como prefeito, apoiando dois canditados, um para deputado estadual e outro para deputado federal. E \u00e9 aqui que nossa hist\u00f3ria se inicia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, recapitulando: o prefeito tirou uma foto abra\u00e7ado com os dois, o candidato a deputado federal e o candidato a deputado estadual.<br \/>\nAcontece que um deles era japon\u00eas. E como voc\u00eas sabem, japoneses j\u00e1 tem o olho meio fechado, ent\u00e3o quando riem o olho fecha mesmo. E foi o que aconteceu: o japon\u00eas saiu com o olho fechado. E nessa brincadeira j\u00e1 tinha rodado tipo uns 300.000 santinhos.<\/p>\n<p>Dai, um belo dia, eu trabalhando, o gerente chega pra mim com uma foto do japon\u00eas e falou assim:<\/p>\n<p>&#8211; Luciano, escaneia essa foto do japon\u00eas e troca a foto dele no santinho.<\/p>\n<p>&#8211; Trocar? Mas porque?<\/p>\n<p>&#8211; Porque ele n\u00e3o gostou dessa foto, ele saiu de olho fechado.<\/p>\n<p>Dai, toca escanear a foto, recortar o rosto, abrir a foto original, recortar a camisa, recortar o rosto, limpar o fundo, gerar layers no photoshop, etc&#8230; e quando fui trocar a foto, uma surpresa: o japon\u00eas estava sem pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>Acontece que na primeira foto, quando ele saiu abra\u00e7ado com o prefeito, ele estava com a camisa com 1 bot\u00e3o aberto. E na segunda foto, sozinho, agora com o olho aberto, ele saiu com a camisa com o bot\u00e3o fechado. Ou seja: faltava pesco\u00e7o no japon\u00eas.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o tinha o que fazer, eu tive que literalmente fabricar um pesco\u00e7o pro japon\u00eas, puxa daqui, puxa dali, usa carimbo, esfuma\u00e7a daqui, dali e voil\u00e1! Saiu um pesco\u00e7o novinho em folha. E rodam mais 200.000 santinhos&#8230;<br \/>\nAlguns dias depois, vem o gerente de novo:<\/p>\n<p>&#8211; P\u00f4 Luciano, os caras reclamaram do santinho.<\/p>\n<p>&#8211; Reclamaram? Porque? O que aconteceu? &#8211; j\u00e1 perguntei assustado<\/p>\n<p>&#8211; Eles falaram que voc\u00ea retocou o pesco\u00e7o do japon\u00eas, deixou o pesco\u00e7o dele lisinho, mas n\u00e3o retocou o pesco\u00e7o deles. Da\u00ed ficou parecendo que ele era mais novo do que eles.<\/p>\n<p>&#8211; Pelo amor de Deus! Eu fiz isso porque n\u00e3o tinha pesco\u00e7o na foto! N\u00e3o fiz de prop\u00f3sito, \u00e9 que n\u00e3o tinha pesco\u00e7o mesmo!<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o, mas eles querem que voc\u00ea retoque o pesco\u00e7o deles tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Mas n\u00e3o tem nada pra fazer no pesco\u00e7o deles!<\/p>\n<p>&#8211; Sei l\u00e1, d\u00e1 uma alisada no pesco\u00e7o deles, tira as pelanca, umas rugas, deixa mais bonito.<\/p>\n<p>E l\u00e1 vou eu, irritado, alisar pesco\u00e7o de prefeito e futuro deputado, pra ficaram com o pesco\u00e7o mais lisinho.\u00a0 Mandei pra aprova\u00e7\u00e3o: gostaram e falaram que agora sim, estava bom! E l\u00e1 se foram mais 300.000 santinhos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dando continua\u00e7\u00e3o aos contos tenebrosos do design, vou narrar hoje uma hist\u00f3ria terr\u00edvel que aconteceu em uma \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o, n\u00e3o estou me referindo a partidos pol\u00edticos, nem a hist\u00f3rias de corrup\u00e7\u00e3o e esc\u00e2ndalos. 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