Dando continuação aos contos tenebrosos do design, vou narrar hoje uma história terrível que aconteceu em uma época de eleição. E não, não estou me referindo a partidos políticos, nem a histórias de corrupção e escândalos.

O caso do deputado sem pescoço

Hoje em dia as eleições não utilizam tanto impressos. Desde que colocaram leis para identificar os autores dos impressos em épocas de campanha e que atrelaram o CNPJ do político aos impressos, a quantidade de santinhos e outros materiais tiveram uma queda brusca.

Isso também limitou aqueles abusos que eram cometidos antigamente, como por exemplo, eu inventar uma mentira sobre o candidato X, imprimir milhares de folhetos e distribuir na calada da noite, de forma a denegrir a imagem dele. E como foi tudo feito na surdina, dificilmente o culpado seria localizado e o estrago já estaria feito. Essa prática infelizmente aconteceu bastante.

Para vocês terem uma idéia, geralmente quando falamos de impressos, a média é 1.000, 2.000, 5.000… valores como 30.000, 50.000 etc são considerados impressos em quantidade grande e não são tão comuns (obviamente, depende da gráfica que você estiver fazendo essa comparação).

Mas quando falamos de santinhos, antigamente a quantidade era absurda. Era algo em torno de 1 milhão, 2 milhões, 10 milhões. Sim, você não leu errado, a quantidade era essa! Quem rodava pouco rodava em torno de 100.000 santinhos. E se pegarmos por exemplo, um partido com um candidato a prefeito, com 20 candidatos a vereador, cada um com 100.000 santinhos com a foto do candidato a vereador ao lado da foto do candidato a prefeito, já temos 2 milhões de santinhos brincando.

Então, sim, a quantidade que rodava era absurda. Mas não é sobre a quantidade que vou falar, e sim de um fato curioso que aconteceu. Mas precisei dar essa introdução da quantidade para vocês terem noção de como a história ocorreu.

Um certo candidato de uma certa cidade rodou santinhos para concorrer a deputado federal e ganhou. E na próxima eleição ele se candidatou a prefeito da cidade e ganhou também.

E quando foi na outra eleição, rodaram vários santinhos dele, já como prefeito, apoiando dois canditados, um para deputado estadual e outro para deputado federal. E é aqui que nossa história se inicia.

Então, recapitulando: o prefeito tirou uma foto abraçado com os dois, o candidato a deputado federal e o candidato a deputado estadual.
Acontece que um deles era japonês. E como vocês sabem, japoneses já tem o olho meio fechado, então quando riem o olho fecha mesmo. E foi o que aconteceu: o japonês saiu com o olho fechado. E nessa brincadeira já tinha rodado tipo uns 300.000 santinhos.

Dai, um belo dia, eu trabalhando, o gerente chega pra mim com uma foto do japonês e falou assim:

– Luciano, escaneia essa foto do japonês e troca a foto dele no santinho.

– Trocar? Mas porque?

– Porque ele não gostou dessa foto, ele saiu de olho fechado.

Dai, toca escanear a foto, recortar o rosto, abrir a foto original, recortar a camisa, recortar o rosto, limpar o fundo, gerar layers no photoshop, etc… e quando fui trocar a foto, uma surpresa: o japonês estava sem pescoço.

Acontece que na primeira foto, quando ele saiu abraçado com o prefeito, ele estava com a camisa com 1 botão aberto. E na segunda foto, sozinho, agora com o olho aberto, ele saiu com a camisa com o botão fechado. Ou seja: faltava pescoço no japonês.

Como não tinha o que fazer, eu tive que literalmente fabricar um pescoço pro japonês, puxa daqui, puxa dali, usa carimbo, esfumaça daqui, dali e voilá! Saiu um pescoço novinho em folha. E rodam mais 200.000 santinhos…
Alguns dias depois, vem o gerente de novo:

– Pô Luciano, os caras reclamaram do santinho.

– Reclamaram? Porque? O que aconteceu? – já perguntei assustado

– Eles falaram que você retocou o pescoço do japonês, deixou o pescoço dele lisinho, mas não retocou o pescoço deles. Daí ficou parecendo que ele era mais novo do que eles.

– Pelo amor de Deus! Eu fiz isso porque não tinha pescoço na foto! Não fiz de propósito, é que não tinha pescoço mesmo!

– Então, mas eles querem que você retoque o pescoço deles também.

– Mas não tem nada pra fazer no pescoço deles!

– Sei lá, dá uma alisada no pescoço deles, tira as pelanca, umas rugas, deixa mais bonito.

E lá vou eu, irritado, alisar pescoço de prefeito e futuro deputado, pra ficaram com o pescoço mais lisinho.  Mandei pra aprovação: gostaram e falaram que agora sim, estava bom! E lá se foram mais 300.000 santinhos…

Comentários:

Esse post ainda não possui comentários. Seja o primeiro a comentar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também:

Curso de HTML Grátis – 4

Curso de HTML Grátis – 4

Data: 23 de maio de 2018

Continuando nosso Curso de HTML Grátis – 4, vamos aprender mais algumas tags que você vai precisar para desenvolver um website. E vamos entrar um pouco também na questão de SEO (Search Engine Optimization), que é a otimização para os motores de busca, ou seja: melhorar seu site para aparecer melhor nos motores de busca....