Aproveitando que ainda estamos em ritmo de ano novo e que geralmente associamos branco e prata com essa época, vou contar mais um conto tenebroso de design envolvendo um material impresso em prata.

Os caso dos cartões intermináveis

Hoje em dia imprimir arquivos em impressora digital é mamão com açucar. Basta você fechar um pdf e pronto, só imprimir.

Mas antigamente era bem chatinho, porque dependiamos de um formato específico de arquivo. E a impressora não funcionada com todos os programas, ou seja, nada de usar Word, Excel, etc.

Pois bem… uma loja famosa de roupas, daquelas que são bem caras e frequentada por um publico seleto, estava fazendo aniversário e resolveram dar um presente para todos os clientes: eles receber em casa uma carta, falando que a loja estava fazendo aniversário e vinha um cartão prata, com o seu nome e uma porcentagem de desconto que você teria na próxima compra, no melhor estilo “ganhe x de desconto em sua próxima compra em nossa loja”.

A parte fácil foi imprimir a quantidade total dos cartões que eles precisariam: foi feita uma montagem com 20 cartões, que era a quantidade que cabia na nossa impressora digital e tudo o que era prata e preto foi impresso, só ficando pendente a informação do nome e o desconto do cliente.

Agora, quando chegamos na parte de imprimir os nomes e o desconto, a coisa complicou. Porque a quantidade não era pequena, era se não me engano, uns 30 mil clientes, cada um com um desconto diferente.

Meu patrão chegou com os arquivos, chegou com as folhas e jogou tudo no nosso colo, com um prazo para terminarmos e informou que era para pararmos todos os outros serviços, ficarmos só naquilo até terminar. Todos que trabalhavam comigo olharam pra mim e perguntaram: como vamos fazer isso?

Dai, ficamos com poucas opções: a impressora não aceitava word, excel, access, etc de forma que não tinhamos como imprimir com dados variaveis. O Corel eu não lembro se já tinha dados variáveis, mas o Pagemaker que era o programa que usávamos na época, não tinha. Então depois de quebrar a cabeça, cheguei num resultado: copiei uma quantidade x de nomes, colei no corel, dei um espaçamento de entrelinha nele e tinhamos uma coluna. Copia mais x nomes para as outras 2 colunas e tinhamos uma página. E foi essa a solução que apresentei.

O problema era que num banco de 30 mil clientes, você pegar 20 nomes por vez era um trabalho de presidiário. Ficamos eu e mais 2 funcionários trabalhando só nisso, o dia inteiro, por vários dias: excel, recorta, corel, cola, copia atributo, copia, cola, excel…

De vez em quando eramos interrompidos por algum cliente que chegava com um arquivo urgente, dai meu patrão mandava dar uma pausa para eu atender. E nesse meio tempo, os clientes viam o trabalho e davam pitaco:

– Mas porque vc não faz no Excel?
– Porque a impressora não aceita arquivo do Excel.
– Porque vocês não fazem no Word, com mala direta?
– Porque a impressora não aceita arquivo do Word.
– Porque vocês não fazem no Access, com formulário?
– Porque a impressora não aceita arquivo do Access.

E a luta continuou, sempre com algum cliente dando algum palpite e tal, que sempre girava em torno disso. Parecia que estavamos presos em um loop interminavel entre o corel e o excel. Até que finalmente, chegou um cliente e deu uma solução:

– Porque você não joga a listagem toda no Pagemaker, trabalhando com colunas e espaçamento entre parágrafos?

Bingo! Corri no pagemaker, montei uma página, ajustei as posições, tamanho da letra, espaçamento, colunas, etc. Copiei uma planilha inteira, colei e apliquei o estilo. Precisei só ir dando alguns “enter” para resolver alguns detalhes, mas finalizei todo o restante em questão de uma hora.

Então ficou a lição: nem sempre a solução mais rápida é a solução mais indicada. Se eu tivesse pensado um pouquinho fora da caixa, teriamos resolvido o problema muito tempo antes.

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